“Desvender”

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Recentemente li um artigo sobre uma marca de cosméticos canadense que resolveu simplificar embalagens, nomes de produtos e estratégias de venda de tal forma que, segundo o autor, eles adotaram uma estratégia de “desvender” (unselling)*. A divulgação é tão simples e objetiva, assim como o nome dos produtos (só a lista de ingredientes de um creme, por exemplo), que parece que a empresa não está fazendo nenhum esforço para vender.

Algumas marcas, principalmente aquelas voltadas para clientes de gerações mais jovens (os chamados millennials), concluíram que o marketing tradicional não estava surtindo o efeito desejado. A propaganda agressiva, a tendência a “maquiar” os produtos, as embalagens sofisticadas, os nomes complexos e imagens superproduzidas passaram a ter efeito contrário sobre a percepção de uma parte dos consumidores.

Essas empresas identificaram uma tendência no comportamento dos seus clientes, que pode ser resumida na busca por simplicidade, por comunicação clara, sem distorção das características dos produtos, por um contato mais direto e verdadeiro com a marca. Muitos consumidores passaram a priorizar a abordagem honesta das empresas em relação aos seus produtos, e buscam esse tipo de experiência.

Na minha opinião, se essa tendência se confirmar será algo muito positivo, uma maneira de fazer com que as companhias ajam com mais transparência e ética. Afinal, depois de décadas de investimento de grandes marcas na tentativa de compreender o comportamento dos consumidores e principalmente de manipular suas escolhas, esses consumidores estão dizendo que o que realmente importa é a verdade.

*Artigo “Brand Illusions” na revista 1843 (site The Economist).

Tatiana François Motta – Economista