UM ANO DEPOIS

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Há um ano nos deparávamos com as primeiras restrições impostas pela Pandemia. Começávamos a empreender algumas mudanças e tínhamos a esperança de voltar às nossas vidas normais em questão de semanas ou, no máximo, meses. Lembro da projeção do então Ministro da Saúde, de que talvez tivéssemos um alívio a partir de setembro. Lembro também de ter achado essa previsão extremamente pessimista.

E estamos aqui, um ano depois, mergulhados em uma situação caótica, com um número crescentes de óbitos e infecções. Estamos enfrentando mutações, reinfecções e incerteza. Difícil encontrar uma família que não tenha sentido algum impacto da doença. Ninguém está imune ao sofrimento, seja ele físico ou emocional. Seguimos em luta contra esse inimigo invisível e resistente.

E a economia? Provavelmente nunca mais será a mesma. Mudanças que vinham lentas e estavam no radar de pesquisadores para um futuro mais distante foram antecipadas e aceleradas. O comércio eletrônico, a educação à distância, o trabalho remoto, as reuniões e encontros não presenciais. Muitas mudanças vieram para ficar, e não teremos alternativa senão nos adaptarmos a uma nova realidade. Há, talvez, transformações mais profundas, que só perceberemos com o passar do tempo. É provável que nossa forma de consumir, viajar, interagir, tudo se altere significativamente.

O distanciamento e as restrições de atividades têm causado reações. Revoltas e protestos são compreensíveis, legítimos até. Encontrar um culpado e obriga-lo a resolver o problema seria ótimo, se fosse possível. Mas não é. Todo mundo gostaria de voltar à sua vida normal pré-Pandemia. Infelizmente isso não vai acontecer. O mundo já mudou. As perdas já aconteceram e só podemos tentar minimizar os estragos e recomeçar, diferentes, talvez melhores. Lembrando que nosso único inimigo é o vírus, é ele que devemos combater. E contra ele temos poucas armas, talvez nem sejam as melhores, mas são o que temos disponível: o distanciamento, as máscaras, a vacina. E seremos tanto mais efetivos quanto mais unidos lutarmos contra esse inimigo comum.

Tatiana François Motta
Economista e empresária
14/03/2021.