Mais mulheres

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O Dia da Mulher que se aproxima é uma boa oportunidade para pensarmos sobre a participação feminina na sociedade. Um bom dia para pensarmos que precisamos de mais mulheres. Mais mulheres na política, nas empresas, nas associações, sindicatos, federações. Somos mais da metade da população do país e estamos sub-representadas em praticamente todas as posições de liderança e tomada de decisão. Quantas são as senadoras e deputadas mulheres? Quantas prefeitas, secretárias, ministras? Quantas mulheres líderes sindicais, reitoras, representantes de classes profissionais, membros de conselhos diretores, presidentes de grandes empresas?

Precisamos estar mais presentes, em todas as áreas, mas principalmente onde são tomadas as decisões importantes para a sociedade. Precisamos de líderes femininas. Mas não de mulheres que assumam posições de destaque e passem a agir como homens, tentando imitá-los. Já temos muitos homens decidindo e dirigindo. Precisamos de mulheres agindo como mulheres, sendo colaborativas, solidárias, inclusivas, afetuosas, responsáveis. Claro que estas não são características exclusivas femininas, mas ambientes femininos tendem a ser marcados por elas. Infelizmente, gerações inteiras de mulheres não tem parâmetro de liderança feminina, aprenderam o que sabem sobre trabalho, política e postura profissional através de exemplos masculinos. Precisamos de novos exemplos para as gerações futuras.

Precisamos de líderes que escutem, que se importem com o bem estar do outro, seja funcionário, cliente ou cidadão. Líderes que não privilegiem somente os fins, mas que se interessem pelos meios, e escolham sempre os melhores meios. Precisamos de pessoas que se importem com detalhes e também olhem para o todo e para o futuro, para a sociedade que vamos deixar para filhos e netos. Precisamos de mais filhas, mães, irmãs, avós. E precisamos que elas confiem em si mesmas, tenham espaço para falar, e que sejam ouvidas. Só a diversidade de visões e entendimentos vai nos fazer evoluir como sociedade. Precisamos de todos, mas nesse momento, precisamos de mais mulheres para equilibrar nosso país.

Tatiana François Motta – Economista
E-mail: tfmotta@hotmail.com
Artigo publicado originalmente no jornal Zero Hora em 20/04/18.