Lamacentas Poças Nossas de Cada Dia

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Imagine que você acorda todos os dias, faz suas rotineiras atividades matutinas e, depois sai para o trabalho, ou para a escola ou para qualquer atividade que você precisa fazer.

E, para chegar ao seu destino, você passa sempre pela mesma rua.

E, nalgum lugar dessa rua, existe uma lamacenta poça de barro.

E, todos os dias, ao passar por este lugar, você pisa na poça, se suja todo e, logo após, sente-se triste, ou chateado, ou brabo, ou culpado, ou raivoso, ou desmotivado por ter cometido o mesmo erro novamente.

E, assim, nesta desagradável repetição a vida segue, todos os dias se sujando e todos os dias se autojulgando severamente pela insolente ação.

Imagina o impacto que esta nefasta repetição possui na sua autoestima, no seu autorrespeito, no seu amor-próprio.

Este exemplo parece absurdo, disparatado e ilógico, mas se observamos muitos de nossos indesejáveis hábitos e desfavoráveis comportamentos, eles se encaixam adequadamente no cenário descrito, pois dia-após-dia repetimos comportamentos maldosos, invejosos, preguiçosos, procrastinadores, destrutivos, de autossabotagem, egoístas, autoritários, mórbidos ou malignos.

E, como no caso da lodosa poça, todos os dias nos poluímos com a mesma pútrida ação e, ao fazê-lo, esquecemos que existe a possibilidade de escolher um caminho completamente diferente

Que existe a oportunidade de pular a poça

Que é permitido passar por um de seus lados

Que existe a alternativa de cobrir o buraco completamente.

Ou seja, que existe sempre um instante onde podemos reconstruir, reorientar ou reprogramar nossos inoportunos hábitos e nossos prejudiciais comportamentos, principalmente se eles são pessoalmente danosos, seja para mim ou para as pessoas ao meu redor.

Em outras palavras, não existe nada mais enfadonho, mais desumano e mais irracional que perpetuar um comportamento cujo impacto é egocêntrico, perverso ou vândalo, pois, no final do dia, eles são projéteis que aniquilam com a nossa autoestima, extinguem a nossa autoconfiança e suprimem o nosso autorrespeito.

Por outro lado, se escolhemos uma das alternativas que eliminam ou evitam e pútrida poça, estamos pavimentando uma senda de admirável honra, de amplificada tolerância e de extensivo amor, tanto internamente para consigo mesmo, quanto externamente para com o mundo onde vivemos.

Evita as poças, e deliberadamente construa caminhos mais sublimes, respeitáveis e carinhosos, para o seu bem-estar e o de seus conterrâneos. 
 

PS: Para citar esta natural reflexão:

Cargnin dos Santos, Tadany. Lamacentas Poças Nossas de Cada Dia.