Me ponho no cabide para me auto desprender

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Foto: Popô

Às vezes me acho que, como cronista exerço uma filosofia cotidiana, tentando descobrir respostas para as questões corriqueiras da vida, relatando o simples. As indagações nascem no pensamento de todas as formas, sentimentos e experiências, perguntas que surgem e me instigam a pensar. Já nas entrelinhas da sensibilidade o que a realidade retrata em tudo e em todos. Mas, o que penso neste domingo com a Maria, suspirando aos meus pés, é o quanto é difícil o se desprender. É dolorido.

Posso ser a criatura mais imperfeita do mundo no que se refere ao assunto. Desprender-se dói por fora e por dentro. Imagine então desprender-se de vidas humanas o que está ultimamente tão banal, despojar-se de uma companhia, renunciar-se ao amor de uma vida inteira. É triste. Não tem como suportar tantas despedidas. Minha alma sente pequenas partículas se deslocando no espaço, me deixando doloroso de saudade que talvez seja sinônimos de amor incondicional, que talvez nem eu mesmo sabia que possuía. Mas o dia está indo, ainda enxergo porém sua luminosidade na linha do horizonte, num completo desprendimento, entregando-se, generosamente, para a escuridão da noite. Aí saio do cabide, hora de voltar para a realidade.