Conexão Anímica

3

A alma é a luz divina na existência humana.

Ela é a bússola que orienta os passos pessoais quando decidimos ouvi-la com fé, com esperança e com curiosidade.

No entanto, nossos corpos físicos e o amplo centrar que alocamos para tão interessante estrutura quando casados unilateralmente com a ideia de eu individualizado, deste eu pequeno, deste eu efêmero, deste eu confuso e deste eu flutuante, frequentemente, nos distancia e faz minguar nossas conexões anímicas e, consequentemente, este desagradável divórcio esteriliza nossas mais intensas e necessárias imaginações e materializações, assim como um córrego que perde o contato com sua fonte e, gradualmente, definha num lento padecer de aridez e de desolação.

Além disso, nossas principais batalhas de medo, de apreensão e de insegurança são mostras visíveis de nossas desconexões com o sagrado do viver, pois tão apavorantes sentimentos nos cegam para a realidade plena, interdependente e sublime da vida.

Então, é preciso descentralizar-se desta obsessão corpórea e expandir a visão do eu individual para que assim, possamos o peito e deixar as luminárias da alma esbanjarem suas pródigas faíscas para que nossas vidas sejam mais do que um simples cumprir com prerrogativas sistêmicas de perpetuação da espécie e, num desconhecido dia, partir como se nem tivéssemos chegado, ir embora sem nem ter desfrutado ou mesmo sem nem ter entendido a inteligência da vida, sair sem nem ter plantado a semente de nossa individual missão existencial e, acima de tudo, zarpar sem ter ancorado nenhum legado inspirador e benevolente para os que estão por aterrissar neste exuberante plano chamado vida humana.