AMIZADE, A MELHOR COISA DA VIDA

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Hoje quero falar sobre o melhor remédio que existe: a amizade.

Quem me conhece sabe o quanto exacerbada é a minha sensibilidade. Sabe o quanto não economizo palavras às pessoas que tenho apreço, sobretudo quando se trata de: amigos. Amigos, diga-se, amizade, que pra mim, são/é tudo. Acho que ter laços firmes de amizade são essenciais e imprescindíveis pra termos uma vida completa. E na minha opinião, melhor do que qualquer coisa, é ter uns bons e velhos amigos. Equalizo eles à família, mas hoje quero falar única e exclusivamente sobre essa aliança que é a amizade.
Tenho como lema de vida esse pensamento: melhor estar bem acompanhado de bons amigos, do que qualquer outra cia, ou qualquer outra coisa.

Há quem pense que escrever textão sobre sentimentos e amizade é tudo mimimi, mas quem me conhece sabe, não é o meu caso. Em qualquer palavra que posso vir a escrever, ou gesto que posso fazer, ou expressar, novamente digo, que quem me conhece sabe: estou sendo o mais puro e verdadeiro possível. Uma vez que, se tem uma coisa que não cabe no meu rosto é máscara, o meu avatar é o mesmo desde que eu nasci. Mas óbvio que, fisicamente falando, ao longo desses 31 anos de existência ele mudou, mas mudou na forma, e não na essência e na autenticidade. E em se tratando de máscaras, claro que há as exceções. Como duas máscaras venezianas lindas que tem lá na casa do meu pai em São Borja, que se pudesse andaria com elas full time porque sou apaixonado por elas. E as faciais, que, essas sim, uso aos montes, até porquê, basta transicionar dos 20 para os 30 anos que já nem é excesso, é estado de necessidade.

E àqueles que dizem que amizade verdadeira não existe, desconstruam esse pensamento e abram-se para a coisa mais maravilhosa que há nessa jornada da vida que é viver ao lado de bons amigos.

Só quem nunca soube ser amigo é que não sabe o que de fato é um laço de amizade. Porque amizade não é uma relação unilateral, é saber doar (sem esperar nada em troca) e receber. É aprender, é trocar, é compartilhar, é muita coisa. E feliz daquele que teve a sorte de ter sido presenteado pela vida com bons amigos, e eu me considero um desses. E só quem um dia precisou deles é que sabe o quão importante é tê-los. Eu, um dia precisei, preciso, e vou sempre precisar, e com a graça de Deus e do Universo, os tive, os tenho e os terei. Talvez daí venha a minha imensa gratidão e importância que dou à amizade. Faço uma analogia com os amigos e os imagino como molas, molas que nos impulsionam pra cima quando a gente acha, ou está, lá no fundo do poço. Também penso que eles são os nossos irmãos de almas ou de outras vidas, e também como anjos, só que como pessoa natural (linguagem jurídica, não tenho como fugir dela) e sem asas visíveis, como são os anjos do céu.

Esse meu apreço pelas pessoas que gosto (amigos) e a necessidade que delas tenho é nato mesmo, pois voltando ao tempo (welcome Freud) nunca vou esquecer do quão triste fiquei quando uma colega minha, do jardim da infância, diga-se Pré-A à época (não sei qual a denominação atualmente, confesso), foi embora para outra cidade. E depois minha prima-irmã, que coincidentemente era minha colega, também desde o ‘’Pré-A’’, fora embora uns anos depois pra uma outra cidade também. Nossa, aquilo foi drama pra mim, porque éramos (e até hoje somos, embora, de novo, a distância por km nos separe) os primos melhores amigos, e os colegas melhores amigos. A saudade era tanta que meus pais me colocaram num ônibus, acho que eu deveria ter uns 10 anos, não sei exatamente, de São Borja à Bagé, pra ver ela. Lembro como se fosse hoje. Depois ela voltou, e de novo, coincidentemente, voltamos a ser colegas, mas em outra fase, adolescentes já.

Tive a sorte de ter estudado numa escola onde iniciei e terminei a vida escolar com os mesmos colegas (amigos) desde o jardim da infância. Óbvio que a direção da escola, a partir do momento que percebeu o tamanho do bonde que ao longo dos anos se formou, já deu conta de separar cada um em turmas diferentes (e óbvio que não conseguiu, porque olha, o bonde era grande) haha. No entanto isso não teve impacto nenhum, porque além da escola havia uma vida, e também o intervalo. Quando falo dos amigos de longa data são os do Colégio Estadual de São Borja, vulgo, CESB. E claro, aqueles que fiz fora, ao longo desses 13 anos morando na cidade que hoje sou radicado, Porto Alegre.

Mas em meio a isso tudo, o pior estava por vir. Naqueles últimos anos de escola, veio o momento das escolhas, do vestibular, do cursinho e etc., e claro, veio a hora da minha escolha. Estudar nas cidades vizinhas, e continuar morando na casa dos meus pais com todo o conforto, alçar voos mais altos em busca do que eu queria, ou ir pra onde meus amigos iriam (essa opção foi vetada, porque a maioria foi para Santa Maria, e meu irmão já morava em Porto Alegre). Quase meio que sem opção, escolhi vir para Porto Alegre, sem nem pensar duas vezes, já que a minha primeira opção, morar em Santa Maria por, conta dos meus amigos, fora vetada, arrumei minha malinha, meus álbuns de fotografias, alguns livros do Machado de Assis, O Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa e o Os Porcos Espinhos de Schopenhauer (que by the way os tenho até hoje), me vim. Mal sabia eu o que estava por vir, tampouco o bolso dos meus pais, porque a cada feriado eu ia pra São Borja e pelo menos uma vez ao mês à Santa Maria. Pra Santa Maria nos primeiros dois anos, porém depois a folia acabou. Mas pra São Borja, digo que até bem pouco tempo ia frequentemente. Como disse anteriormente, depois dos 30 tudo muda, e viajar 8 horas até lá, sim, me cansa como antes nunca me cansava, chego e volto acabado.

E retornado, sobre ser sensível, sobre sensibilidade, que falei no início disso tudo, é no sentido literal mesmo. É sobre ser sensível na forma de ver e sentir as coisas, é sobre ser emotivo, sentimental, afetivo. Eu me diagnosticaria como um ‘’abaladiço’’ nato, mas desta vez não no sentido literal. Que fique claro, ser sensível não significa ser fraco, muito pelo contrário. Quando me identifico como um ser de comoção fácil, é no sentido de sentir as coisas mais simples na vida de um jeito claro e verdadeiro, mais vivo digamos. E consigo transmitir isso na minha forma de pensar, agir e ser. No jeito como capturo as imagens do meu cotidiano pelo smartphone (que é meu hobby), no jeito como trato as pessoas nessa vida e na importância que a elas dou. Não economizo palavras às pessoas que tenho apreço, sobretudo à minha família e amigos, que pra mim, são tudo. Escrevo e expresso ao máximo o meu carinho às pessoas porque sou sentimento puro, e amo ser assim.

Sou eternamente grato àqueles que me ajudaram a atravessar os caminhos mais rochosos e difíceis dessa vida. Àqueles que foram molas que me empurraram pra cima quando eu achei que estava no fundo do poço terão o meu reconhecimento vitalício e eterno. E é por isso que gosto tanto de externar a importância dessas pessoas, seja da forma que for.

Eu sou daqueles que pensa que nada aqui nessa jornada é por acaso, absolutamente nada. Sobretudo quando se trata das pessoas que passam pelas nossas vidas. É impossível que seja uma mera coincidência, os amigos pra mim são irmãos de alma, e volto a dizer, são os anjos sem asas em forma humana que habitam aqui na terra. Eles não chegam nas nossas vidas só porque sim, eles chegam porque é pra ser, porque tem uma finalidade, e essa finalidade, é a troca. É a troca se sentimento, é a troca de aprendizado, é reciprocidade pura. E se tem uma coisa que tenho orgulho nessa vida é dos amigos que a vida me presentou, quesito esse que sim, me considero como sendo uma pessoa de sorte.

Finalizo parafraseando algum autor de um texto que li por aí ‘’ Pessoas maravilhosas são aquelas que amam as suas cinzas sem conhecer os seus incêndios, que entram na sua vida sem avisar e que você deseja que jamais saiam dela. As pessoas mais excepcionais estão com você não por acaso, mas porque você merece, porque você sabe muito bem o quanto vale sua alma e a nobreza dos seus corações.’’ E também o eterno Paulo Sant’ana que tive o prazer de conhecer, numa das diversas viagens à São Borja, quando ele ia pra lá, só pra atravessar a ponte e passar o final de semana jogando no Cassino de Santo Tomé, na Argentina: ‘’ Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Alguns deles não procuro, mas basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida (…) mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro…’’

AOS MEUS AMIGOS, O MEU MUITO OBRIGADO!