Quanto reativo meus sentidos sobre o viajar, também me recordo de citações de Lya Luft quando ela diz que não recebemos um mundo intocável fora das paredes acolhedoras ou frias de nossa casa: se não podemos deletar e criar outro, podemos dar-lhe retoques, curtir e sonhar, mesmo sabendo que há limites, esses que podemos ultrapassar com o nosso olhar e sentir como quisermos.
Pois assim foi quando estive em Mônaco. Atravessei discretamente a porta de um mundo onde a elegância parece regra silenciosa. Entre marinas preenchidas por iates impecáveis, jardins perfeitamente desenhados e o brilho dourado dos cassinos históricos, tudo transmite uma sensação de exclusividade serena, nunca apressada.
Caminhar por Monte Carlo ao entardecer revela uma beleza quase cinematográfica. Mônaco não impressiona pelo excesso, mas pela precisão refinada com que luxo, tradição e paisagem coexistem.
Uma das lembranças mais latentes em minha memória foi a visita à Catedral de Mônaco, onde a princesa Grace está enterrada. Simples, branca, com vista pro porto. É glamour sem filtro, mas dá pra visitar sem ser milionário.
