Segurança. Prazer e Desejos.

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Em essência e com grande intensidade, nossa vida é uma contínua busca por segurança e por prazer, as quais se manifestam por meio de nossos desejos.

Ambas as buscas são naturais e incessantes, muito embora é importante entender que os objetos de desejo mudam drasticamente no transcurso da vida, ou seja, o que é prazeroso para um criança, se torna enfadonho para um adolescente, ou o que traz segurança para um jovem, não necessariamente seja um fonte de segurança para um adulto.

Além disso, muitos desejos cambiam após serem satisfeitos, isto é, independentemente da idade, vivemos num balão pula-pula onde a concretização de um desejo diretamente leva à origem de outro num eterno e imutável ciclo onde, quase que mecanicamente, seguimos um ininterrupto ritmo de buscas impulsionados por sensações de insegurança e insatisfação.

Neste ínterim, utilizamos todo o nosso potencial volitivo e de criatividade para influenciar fatos e situações com o deliberado intuito de obter a satisfação das ambições pessoais.

No entanto, chega um dia em que nos damos conta de que cinco sentidos, uma mente, dois braços e duas pernas são insuficientes e limitados para tentar controlar ou manipular a miríade de variáveis que afetam os resultados das buscas pessoais.

Então, quando este augusto momento de lucidez e discernimento acontece, dá-se início à uma sublime e admirável caminhada individual em direção ao entendimento da natureza dos desejos, assim como do impacto direto que os mesmos possuem na percepção que temos de nós mesmos e, até certo ponto, na dependência que outorgamos aos desejos para serem os soberanos da sensação de segurança e satisfação que possuímos no quotidiano.

Em outras palavras, com frequência esquecemos que nossos desejos dependem de muitos fatores, vários deles incontroláveis, para ser materializar e, inconscientes deste fato, se não conseguimos o que desejamos, muitas vezes nos culpamos, nos criticamos e nos sentimos tristes, inseguros e desmotivados. O que é questionável visto que não controlamos todos os fatores.

Desta maneira, se sabemos que demos o nosso melhor naquilo que fizemos, isto já é suficiente para nos sentirmos seguros e satisfeitos com nossas capacidades e com os resultados adquiridos.

E assim, cientes do inegável fato de que os desejos são necessários para uma vida próspera e plena, também seguimos lúcidos no processo de questionamento e entendimento da efemeridade e da dependência dos desejos até aprendermos que, independentemente da conquista de um desejo, a sensação de segurança, o sentimento de satisfação e a alegria são partes inalienáveis de nossas naturezas, ou seja, deseje muito, se esforce ainda mais, mas saiba que os resultados são incontroláveis.