Os desafios que o comércio de São Borja enfrenta diante da pandemia

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Fonte: Camila Beque

A chegada da pandemia assustou o mundo todo, e aqui no Brasil ela se mantém, por esses últimos 5 meses. Além do medo de um novo vírus, as pessoas ainda temem a perda de seus empregos, uma vez que o fluxo de pessoas nas ruas diminui, as vendas no comércio também, e medidas precisam ser tomadas para a sobrevivência dos pequenos negócios.

Segundo as estatísticas do IBGE, no Brasil, a região sul é a segunda com mais empresas que tiveram suas vendas reduzidas ou seus serviços comercializados durante a primeira metade do mês de julho, em comparação à mesma época do ano anterior. E que 34,8% das empresas que se mantém em funcionamento no país adotaram pelo menos uma medida com apoio do governo.

Em São Borja, o comércio teve que se adaptar, e aprender como vender nesse atual cenário. Em cada segmento, a pandemia afetou de uma forma, cada empreendedor teve que aprender com as vivências para saber onde deve ser melhorado, investido e segurado nesse momento, já que não há uma receita para solucionar as demandas de todos.

Para Pedro Quoos, gestor da cafeteria Noah, esse período está sendo de imenso aprendizado, onde o planejamento já é não é apenas para o futuro, mas sim para a melhoria a cada dia. Sempre visando a qualidade e a saúde dos seus clientes e colaboradores. Pedro sente que nunca foi tão necessário o uso das redes sociais, espaço que a cafeteria já estava habituada a usar antes da pandemia, e que agora é necessário ter estratégias de como chegar e atrair o seu cliente que está em casa, rolando a tela do seu celular.

Outros estabelecimentos viram seus planos tomarem outro rumo, e assim fazendo que os seus administradores tivessem que encontrar outra maneira de dar a volta por cima. Como a loja Universe, que estava com tudo pronto para sua inauguração, quando em 16 de março foi decretado o fechamento do comércio por quinze dias. Valéria Caye Roger, sócia da Universe, conta que a loja foi toda planejada para uma inauguração presencial, e que essas limitações, depois dos dias de comércio fechado, as deixaram sem saber como proceder, com isso trabalharam em torno de 30 dias com a loja fechada. Até decidirem abrir as portas, no mês de abril, mas sem fazer a planejada inauguração.

Ela fala também que por a loja ter sido aberta dentro desse período, se torna difícil ter um ponto de referência e comparação “pré-pandemia” para entender como está o desenvolvimento. Mas afirma que desde a abertura, existe uma luta para mostrar e divulgar a loja, já que é um novo empreendimento na cidade. E que mesmo dentro dessas circunstâncias ela sente que a loja está tendo uma boa aceitação pelos consumidores.

Lojas de grande circulação, com uma vasta variedade sentiram também o impacto, já que as pessoas estão tendo novas buscas, e em até menor proporção, pelo fato de passarem a maior parte do tempo em casa. Omar Mahmud, proprietário da loja Comercial Favorita, que atua há 32 anos no comércio de São Borja, conta que nesse inverno teve uma grande busca por conjuntos de moletom, pijamas, pantufas, camisetas básicas. E que para se adaptar a essa crise a escolha dele foi manter os colaboradores e diminuir o número de compras, buscando os produtos conforme as demandas. A loja que tinha como carro forte nessa época, eventos e as festas final do ano, teve que rever quais seriam as melhores encomendas para oferecer aos seus clientes.

Ele conta também que a loja é ligada a proximidade com o cliente, onde se chega e é recebido pelo nome, e que sente que as redes sociais tornam as compras mais frias, então preferem manter que a clientela chegue até a loja, mesmo que em número reduzido por conta das medidas de segurança. E que a venda online se faz via página no Facebook, e por tele-entrega, nos dias em que o comércio precisa cumprir as regras da bandeira vermelha.

Contudo, para outras lojas a crise é sentida nos momentos em que as portas precisam estar fechadas. Suelen Bastos, proprietária da loja Top 20, conta que por ter um estabelecimento de preço popular, pouco sente em relação a baixa procura. A loja que mudou de endereço durante esse período, sentiu que foi algo positivo ir para um lugar mais central, ficando no caminho do fluxo de pessoas, que saem ir ao Banco, por exemplo. As dificuldades encontradas foram achar uma solução para os dias de portas fechadas, pois sentia que nem todos os clientes aderiram a taxa de entrega, mas Suelen explica que ficaria inviável para a loja, já que assim perderiam o lucro do produto. Assim, através das redes sociais, as clientes entram em contato, e vão até a loja apenas buscar as peças desejadas.

Algo em comum em cada estabelecimento são as alternativas que cada um busca para chegar de forma efetiva até seu cliente nesse período tão conturbado. Que mais do que nunca foi necessária essa comunicação através das redes sociais, e a necessidade de estar aberto, a errar e aprender com tudo que vem acontecendo, para assim se tornar cada vez mais forte e manter vivo o comércio local.