NASCER, VIVER E RENASCER

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Não obstante à idade cronológica, cada um de nós tem uma caminhada e uma história. Algumas, por uma questão de tempo e idade mesmo, são longas, árduas e difíceis como andar em meio a um monte pedras, por exemplo, e outras nem tanto, são tranquilas e calmas como o caminhar de um flamingo. Mas cada um sabe o trajeto que percorreu, e se foi fácil ou não.
A real é que todos temos um percurso, uma biografia, sendo uma felizes, outras nem tanto, porém temos e não podemos negar, tampouco passar uma borracha para apagar. Uma vez que faz parte da construção do que hoje somos, e do que um dia ainda vamos ser. Mas o que importa nisso tudo é saber o que fazer dela, é saber ressignificar aquilo que não fez da nossa trajetória feliz, e levar para o nosso futuro o que de lindo um dia foi. É manter o foco no que foi bom e no que nos somou enquanto (ser) humano.
A nossa vida pode ser uma tragédia, uma aventura, uma história de vitória ou de desgraça, o que muda é a forma como vamos editar a nossa própria jornada.
Em meio a todo esse contexto não tem como não falar de resiliência, que é o que todos deveríamos saber exercer e exercitar, tarefa dificílima pra muitos de nós, mas irrenunciável, mesmo sendo ela custosa. Acho também que ela deveria fazer parte do nosso código genético, tipo, nascer já com essa capacidade – a de ser resiliente. Todos deveríamos saber e sentir que somos fortes, que temos sim potencial para sermos o que quisermos ser, e conquistar o que quisermos ter. Não é clichê dizer que basta ter fé, não é trivial pensar que temos todos os tijolos para construirmos o nosso próprio castelo, mesmo que estejamos recém com a planta do projeto desenhado, porque isso não quer dizer que ele não vai ser levantado.
Quem nunca teve a triste sensação de ver a esperança se despedindo, achando que nunca mais iria vê-la? Acho que muitos de nós um dia já passou por isso, mas sabe de uma coisa? Ela nunca vai embora. A gente é que se boicota achando que a luz no fim do túnel só existe nas frases de auto-ajuda. O que importa mesmo é termos ciência de que a nossa vida é um ciclo, e ciclo, no sentido literal, se renova de forma constante. Hoje o nossa condição, seja lá qual ela for, pode não estar boa, mas logo, bem logo, ela vai mudar. E repito, SIM, ela vai mudar porque o relógio da vida não pára, porque o planeta continua a girar em torno sol e tudo muda a todo momento. A sensação da inércia vem dessa nossa mania de se preocupar absurdamente com o futuro, anulando a parte mais importante da vida: o presente. Porque é do presente que vêm as lembranças, as memórias e a saudade.
Já cheguei a pensar que seria bom se a vida tivesse um manual, ou de repente um aplicativo tipo o Waze que às vezes mostra o melhor caminho a seguir. Só que aplicando na vida, seria pra desviar dos problemas, das dores, das frustrações, enfim, da vida real. Mas seríamos fracos, vazios, não seríamos humanos, porque a nossa força vem dos obstáculos que ultrapassamos, das dores que sentimos e dos sofrimentos que passamos, aqueles sem aviso prévio, sabe?
Não é fácil senti-los, vivê-los e passar por esse turbilhão de coisas intacto, mas são dessas  experiências que nos tornamos imunes e delas que chega a nossa vitória.
Às vezes é preciso sim, virar cinzas pra renascer, pra alçar voos mais altos e voltar mais forte do que já fomos, à semelhança da Fênix, que quando queimou, renasceu e retornou  mais linda e potente do que já era antes. Que nunca esqueçamos disso, e que nunca deixemos de ser quem precisamos ser, de crescer, de aprender e evoluir.