Ericeira, onde o céu é mais azul

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Foto: Arquivo pessoal

Nessa segunda crônica, irei vos contar um pouco de mim e, consequentemente, de um dos aspectos que considero mais interessantes em Portugal para quem gosta de praia e dos esportes que nela podem ser praticados.

Meu esporte favorito nos últimos anos tem sido o surf, mas em Porto Alegre era necessário viajar cerca de duas horas de carro para chegar ao litoral gaúcho, o qual, na maioria das vezes, não permitia uma boa prática pelas condições adversas do mar aberto. Felicidade era quando tinha um tempo livre maior e podia ir até Santa Catarina para aproveitas suas lindas praias mais propícias para o surf em diversas épocas do ano.

Já em Portugal, as praias têm ondas fortes no inverno, sendo Nazaré a mais conhecida pelas montanhas de água com mais de trinta metros em que os surfistas puxados por jet-skis desafiam a natureza ao descê-las e, por vezes, acabam se dando mal, como ocorreu com a Maia Gabeira e diversos outros. No verão o clima esquenta, mas a água do mar continua gelada, sobre de 14ºC para cerca de 18ºC mais ao centro do país quando está quente. Claro, no Algarve, onde não tem ondas, chega até 21ºC no melhor dos cenários, mas essa região merece um texto próprio, pois é uma das mais lindas do mundo.

Na temporada de calor, as águas do mar ficam um pouco mais calmas, sendo possível aos iniciantes e aos “surfistas de verão” caírem na água para diversão. As praias aqui, em maioria, têm a bancada de areia, até mesmo Peniche, que faz parte do circuito mundial de surf (WSL), a qual é conhecida pelos seus super tubos. Porém, a praia que tem meu coração fica em Ericeira, mais especificamente se chama Ribeira D’ilhas, cuja bancada é de pedra e forma uma linda onda que abre durante minutos para a direita. Essa praia fica abaixo de uma falésia que a protege do vento e permite uma vista linda para o oceano, além de ter uma boa estrutura com bar e estacionamento.

Nesse verão já estou a me preparar para lá ir aos finais de semana, fui semana passada, mas uma dor no ombro não me deixou aproveitar ao máximo o dia. Então fiquei sorvendo meu chimarrão (hábito que mantenho com orgulho e apresentou a quem conheço) na beira da praia apenas olhando os outros surfarem na companhia da minha namorada e de um amigo também gaúcho de Guaíba, este que mora lá e me apresentou a cidade.

Sobre Ericeira, cuja indicação desde já faço aos leitores que vierem a Portugal para conhecer, é um vilarejo localizado a 35km de Lisboa, no Instagram a marcação consta como “Ericeira – onde o céu é mais azul”. Lembra uma cidade do interior do Rio Grande do Sul com suas estreitas ruas de pedra sabão em que passa uma pessoa ou um carro, com seus comércios à beira da calçada como era antigamente em Porto Alegre e como ainda é comum em São Borja, configuração que ajuda a tornar a cidade mais próxima das pessoas, mais aconchegante e acolhedora. Tem sua pracinha com bancos para descansar e olhar o movimento, cercada por restaurantes, bares, sorveterias e padarias.

Então, caros leitores, esse também é uma das faces que me fazem gostar de Portugal: as praias e as ondas, nem como a possibilidade de estar nelas em menos de trinta minutos morando em Lisboa, teria outras praias com ondas para indicar, como Costa da Caparica, Carcavelos, Praia do Guincho, entre outras, mas essas ficarão para uma próxima oportunidade.