A nova elite brasileira não quer parecer culta. Quer parecer cara. Existe uma diferença enorme entre as duas coisas. O culto faz perguntas. O caro tira foto. Isso aparece em tudo. No restaurante da moda, por exemplo, onde a comida chega fria, servida sobre pedras vulcânicas trazidas de algum lugar exótico, enquanto o garçom emocionado explica que o molho foi defumado em madeira de reflorestamento sustentável. As pessoas mastigam confusas, pagam uma fortuna e saem felizes porque a experiência ficou linda no story. Ninguém quer mais emoção. Quer repertório visual. O teatro virou programa conceitual. O cinema brasileiro virou obrigação moral. A leitura virou acesso estético. Existe gente que compra livros por metro para combinar com a decoração da sala. E talvez o mais assustador seja perceber que isso não parece piada. Parece estratégia de vida.
Diz o novelista Walcyr Carrasco
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