Disparates da Vida

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Sinceramente não sei

Que absurdo disparate de vida

Me presenteou com tanta ferida

Que não sei como aguentei

Talvez tenha aguentado caminhando sozinho

Sem correr desesperado, andando devagarinho

Como quem pisa num ninho

Ou abre os olhos em descaminho

E quando pensei que tudo era alegria

A vida me mostrou outra alegoria

E enquanto a nova tempestade ainda nem começava

Eu tremendo engatinhava

Nas dúvidas da desesperança

Sem entender a tenebrosa lambança

Que ora se apresentava

E foi um choro infinito

Seguido de berro e de um tremendo grito

Daqueles que acordam até defunto

Pois me sentia um decaído presunto

E precisa dalgum encanto

Para livrar-me daquele pranto

Daquele testamento maldito

E a fome quando aparece

Traz visitas com sua presença

Eu me agarrei as rezas

Que aprendi na adolescência

Para evitar a insolvência

Daquele miserável viver

E oxalá amanhecer

Com um pouco mais de esperança

Na vida e suas riquezas

Porque naquela horrenda pobreza

Preferia a morte, esta natural ausência

Do que os pesares de um horrível padecer

Onde a sobrevivência, se aparenta à um viver

E de dor, já tinha partido

Juntei forças na alma

Com medo, angústia e calma

Para abandonar esta essência

E partir, sem descendência

Pr’outras desconhecidas querências

Talvez até para melhores quimeras

Onde sorrisos e abundância

Não fossem apenas ilusões de criança

Mas um fato irrevogável

De uma eterna pujança

Onde a vida faz sentido

E estar vivo, não cansa.