A moda para todas, inovações no ramo chegam a São Borja

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Fonte: Camila Beque

A moda é algo que faz parte da nossa vida desde que nascemos, e com ela, ao longo dos anos, vamos moldando e expressando a nossa personalidade. Mas o acesso às roupas não se dá da mesma forma para todas as pessoas. Infelizmente, as pessoas gordas ainda tem dificuldade em encontrar roupas que as caibam, e que custe a mesma média de valor que as demais roupas disponíveis nas lojas.

Essas dificuldades motivaram as amigas, Nathalia Guerreiro Rizzon, de 25 anos e Brenda Figueiredo Ercolani, de 24, que decidiram inovar nesse ramo, e deram vida a loja Be Curv. Outra dificuldade contada por elas foi sobre encontrar roupas que estivessem de acordo com a idade delas. “A certeza de que não éramos as únicas a viver essa situação foi o que nos fez tão confiantes de que daria certo.” elas relatam.

O projeto surgiu durante esse período de isolamento, as duas contam que, “Nunca tinha passado antes pela cabeça! Nós somos amigas há muitos anos e sempre fomos fora do padrão. Sempre conversávamos uma com a outra sobre as nossas dificuldades. Como dissemos, a pandemia foi o que ativou essa ideia em nós duas.”. De forma orgânica, elas organizaram o planejamento do e-commerce, e o colocaram em prática. E com os poucos meses da loja ativa na rede, elas estão surpresas com o retorno positivo que estão tendo. Afirmam que estão colocando o melhor delas, a verdade de cada uma no projeto, e que tem dado resultado. Para elas o objetivo da marca é “que nossas roupas sejam acessíveis em todos os sentidos. Preços justos e peças que vestem corpos reais”.

Com o começo do projeto, quando lançaram a ideia no Instagram, sem antes se apresentarem, elas contam que receberam mensagens de carinho de mulheres que se identificaram com a proposta. Esse espaço de representatividade se abre como um lugar de acolhimento para mulheres que por muito tempo silenciaram os próprios gostos e deixaram-se moldar pelo que tinha de disponível nos departamentos, e não pelo que de fato elas gostavam e sentiam-se bem usando.

Como relatou uma cliente da loja, agora ela se sente feliz por saber que poderia comprar roupas sem constrangimentos. Brenda e Nathalia contam que entendiam a dor da cliente, pois também já se sentiram assim. E falam que elas querem levar autoaceitação às suas clientes, para desconstruir ideias que foram criadas em muitas mulheres, como “ao comprarem uma peça de roupa, guardam no armário esperando o “momento certo” para usar. Por exemplo: “essa calça eu vou usar depois que emagrecer alguns quilos”. Nós acreditamos que as mulheres não devem moldar os seus corpos para “caber” em uma peça de roupa.”

Elas acreditam que vestir-se não é apenas se esconder embaixo de um tecido mas sim, uma forma de encontrar o seu amor próprio, a confiança de que podem usar e se sentir bem com o que elas quiserem. E esperam que um dia, mulheres que vestem um manequim 50, encontrem roupas para si com tanta facilidade quanto as que vestem 40.