RESILIÊNCIA

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Não lembro exatamente há quanto tempo já estamos vivendo o isolamento social, mas sei que os dias estão difíceis, tristes. Também estão sendo para o autoconhecimento àqueles não o tem. Têm sido dias em que somos obrigados a resignificar várias coisas nas nossas vidas, tempos de nos conectarmos conosco mesmos, com o nosso lar e aprender a sermos a nossa melhor companhia.

Já escrevi um texto antes sobre sermos a nossa melhor companhia, e sei que pra muitos não é uma tarefa muito fácil, e não é mesmo. E eu que o diga, uma vez que saí de casa aos 18 anos e tive que aprender a ser eu mesmo o meu melhor amigo e companheiro. Mas claro que tive uma ajuda profissional pra conquistar isso, batalhei bastante pra entender que a solitude ao todo não é ruim. Nesse pacote todo de aprender a lidar com a solidão, vem a autoconfiança, o empoderamento e a sensação magnífica de liberdade. E vos digo, isso é maravilhoso, não tem nada melhor do que a independência, isso é fato!

Nesses dias trevosos que estamos vivendo, pra quem vive só, com eu, é essencial e necessário saber, ou tentar, conceber de boa a realidade da reclusão.

É tempo de caírem todas as fichas e todos os butiás dos nossos bolsos sobre o que de fato é a vida e do real significado dela. Para aqueles que não sabem, ou fingem demência acerca disso: TODOS viemos do mesmo lugar, voltaremos para o mesmo, e o caminho de vinda e ida é o mesmo pra todos nós. E no final das contas, somos iguais e com a mesma vulnerabilidade, afinal de contas, somos da mesma raça, a humana.

Quando se trata de saúde, especificamente falando agora do covid-19 e dessa pandemia pela qual estamos passando, cai por terra a sensação daqueles que se acham onipotentes e inatingíveis, cai por terra quem acha que é melhor do qualquer outra pessoa. O poder aquisitivo, a classe social, cor, religião, condição sexual e qualquer outra situação que a sociedade rotula e separa, impõe e diferencia um dos outros já não tem nulidade nenhuma. Estamos todos na mesma barca “mano”, e o bagulho tá ficando cada vez mais doido.

São tempos de sairmos do pedestal graal e cair na realidade de que todos somos iguais, e que a vida é um sopro, que não temos domínio nenhum sobre ela.

É tempo de praticarmos a resiliência, adquirir forças seja lá do jeito que for, porque resiliência é termos a capacidade de nos adaptarmos a situações adversas, superar aquilo que nos machuca e que nos causa dor, é em suma, superar.

Resiliência é adaptação, é saber e ter a lucidez de que nunca, NUNCA, nada está perdido. Porque todos nós somos e já fomos resilientes em alguma circunstância nessa jornada chamada vida. A gente consegue, sim a gente consegue!

A resiliência, assim como outras virtudes, não é algo que temos ou não temos de maneira absoluta. Todos temos todas as virtudes. Só que às vezes conseguimos aplicá-las melhor que outras. Às vezes conseguimos ser mais resilientes e outras nem tanto.

Não significa que ao aprender ser resiliente estamos imunes aos problemas. A dor emocional e tristeza é presente da mesma forma. Mesmo as pessoas mais resilientes são cheias de cicatrizes dos tropeços da vida. Os problemas estão lá da mesma forma como estão para todos. Não é uma questão de se escapar ileso. A diferença está na forma de encará-los e superá-los.

Quando a saudade apertar, quando o desespero bater, quando a tristeza chegar vamos pensar que estamos todos no mesmo barco e vulneráveis à mesma coisa.

O mundo já estava beirando o colapso mesmo antes disso tudo acontecer, estava faltando amor, empatia e mais um monte de coisa nessa vida louca. Vamos pensar que esse pesadelo um dia iria, mais cedo ou mais tarde, acontecer.

O amor e a empatia precisam ser lembrados e de uma vez por todas se fazer presentes na nossa vida.

Lamento profundamente aqueles que deixaram esse plano e que deixaram pessoas que amavam e que vos amavam também, nossos corações sangram mediante isso, mas um dia tenho certeza que vamos entender tudo isso.

Vamos pensar que vai passar, porque vai passar. E logo vamos poder abraçar, ver, beijar e mostrar o quanto amamos aqueles que um dia esquecemos de demonstrar todos esses sentimentos.

Não sabemos quanto tempo vai durar, mas tenho plena certeza que nesse “time” nossos espíritos vão evoluir, e isso é um trabalho coletivo.

Vamos pensar que onde há luz, a sombra não chega.

Vamos atingir a libertação do medo, e crer na força criadora.

Vamos ter ESPERANÇA.

Vai passar, vai passar.