Oi de novo!
Esse texto é a continuação da minha última coluna — então, se tu chegou agora, recomendo voltar uma casinha e ler o capítulo anterior. Mas se já está por dentro da história, vamos seguir viagem…
Depois de um semestre estudando Design de Produto na Feevale, em Novo Hamburgo, enfrentando diariamente o bate-volta de van, decidi transferir o curso para a UniRitter, em Porto Alegre. Ali, mergulhei de vez num universo novo — e que viria a moldar boa parte do que sou e faço hoje. Estudei até o 5º semestre lá e foi simplesmente uma experiência maravilhosa: tive meu primeiro contato com desenho técnico, projeto, história da arte, criação de produto, design gráfico, fotografia… tudo isso virou base do meu trabalho e da minha visão de mundo. É curioso perceber como, anos depois, a gente entende o valor dessas sementes plantadas lá atrás.
Na real, acredito que nada do que vivemos é por acaso — aliás, nem acredito em acaso. Acredito em propósito. Cada pessoa, fase, desafio ou alegria tem um porquê, mesmo que a gente só entenda bem mais tarde. Aqueles anos na Ritter foram intensos e lindos: conheci pessoas incríveis, estudei bastante (quando dava risos), fiz festas memoráveis e até encontrava uma conterrânea nos intervalos — a Marília, também de São Borja, que se não me falha a memória, fazia o mesmo curso, só que estava alguns semestres na frente.
Foi logo nesse primeiro ano na Ritter que consegui um estágio no DEAM — o Departamento de Arquitetura do Tribunal de Justiça do RS. Um lugar onde aprendi absurdamente. O DEAM era responsável por projetar e organizar toda a parte arquitetônica dos prédios do Poder Judiciário — ou seja, era coisa séria. Fiquei lá dois anos e tenho um carinho enorme por essa época. Fiz amigos que carrego até hoje, inclusive algumas arquitetas queridas que sigo admirando. Aprendi muito sobre organização, estética, linguagem visual e, principalmente, sobre responsabilidade com o que se cria.
Naquela época, eu era autodidata em dois softwares que eram febre no design: Photoshop e CorelDRAW. O Corel usávamos para criar a identidade visual dos fóruns das comarcas do RS, do Tribunal de Justiça e até do Palácio da Justiça. Era apaixonante! Sempre fui curioso — estudava por conta, fuçava, testava, errava, acertava. Foi ali que vi, na prática, o quanto o design podia transformar espaços e percepções.
Mas, claro, nem só de trabalho vivia o estagiário Lawrence… risos. Minha rotina era uma mistura de estágio, faculdade e muita festa. E quando eu digo muita, é MUITA mesmo. O point oficial era o Beco 203, na Av. Independência — quem viveu essa fase, sabe do que tô falando. Eu ia praticamente todo final de semana, com direito a gastar boa parte do salário do estágio ali mesmo (sem culpa!). Anos 2008, 2009, 2010… auge do estilo indie, com pitadas de rock e pop. Era uma mistura de MGMT, Strokes, Franz Ferdinand, Britney Spears… Era uma vibe maravilhosa. E se o Beco não estava “bombando”, a gente andava umas quadras até o Cabaret, também do grupo Beco, se não me engano. Saíamos de lá só quando o sol já estava alto no céu.
Foi uma fase linda, divertida, leve — daquelas que a gente guarda com gosto no arquivo da alma. Eu acredito que cada ciclo da nossa vida tem algo a ensinar. E que aproveitar cada fase, com presença, intensidade e leveza, é um dos maiores segredos de uma vida com boas memórias.
Porque no fim, é isso que fica: as histórias, os encontros, os risos, as músicas, os amigos, os aprendizados. E é por isso que eu sigo escrevendo — pra dar forma a tudo isso e, de quebra, te convidar a lembrar da tua própria caminhada também.
Volto em breve, com o próximo capítulo.
Até já!
Lawrence Almeida
