Leio artigo da psicanalista Manuela Xavier e todavia da mais alta conjectura social faz com que o adapte para a coluna especialmente nos tempos em que estamos vivendo.“Onde ficam as nuances e as abstrações em um tempo em que precisamos estar armados para o combate o tempo todo? Em que essa racionalidade nos é cobrada para que não sejamos lidos como histéricos ou passionais? Onde fica a possibilidade de não agirmos como máquinas em um mundo que nos premia por isso? Quando conseguimos pensar sobre nosso desejo, se sobram os deveres? Como ouvir os medos, se escutamos que precisamos ser corajosos? Com quem falar sobre trauma, se todos dizem que é preciso superar? Quem vai cuidar de mim se eu, essa máquina, estou cuidando de todo mundo? Estamos exaustos, solitários, impacientes e adoecidos, enquanto somos aplaudidos como empoderados, pragmáticos e assertivos. Em tempo de pautas sobre saúde mental, me pergunto se a nossa é considerada ou se interessa mais à sociedade que sigamos no piloto automático. Para mim, o ato mais revolucionário que podemos tomar por nós e pelos outros é reconhecer os próprios limites e a própria sensibilidade. É preciso reivindicar o cuidado consigo e sorver o tempo, em vez de ser atropelado pelos ponteiros das horas. Aliás, se ser dono do meu tempo significa ser pontual, então quero ser um homem pontual.”
Exaustão, solitários e impacientes
ARTIGOS RELACIONADOS
