Os passarinhos lá de casa

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A cada amanhecer, uma nova e linda sinfonia. Depois, a cantoria prossegue ao longo do dia e, principalmente, no entardecer. É a passarada no quintal lá de casa. O espaço nem é tão amplo, mas é repleto de vida e energia. É muito interessante, pois fica quase em área central da cidade. O fato é que a festa é permanente.

Nosso habitat está, em verdade, num cenário diferenciadamente privilegiado. Além de pátios povoados de verde, no entorno da vizinhança,estamos localizados muito próximos da histórica Fonte de São Pedro. O lugar é, por si só, um refúgio de preservação, um micro ecossistema dotado de vigor e diversidade, como capricho da natureza.

Difícil é nominar a multiplicidade de pássaros existente. Só exemplos de alguns dos mais conhecidos: joão-de-barro, pica-pau, bem-te-vi, pomba-rola, beija-flor e caturrita. Mas há, ainda, um amplo espectro de outras espécies, que, para nós, leigos, é desconhecido. Seria tarefa de inventário e identificação a profissionais da Ornitologia, ramo da Biologia que se dedica ao estudo das aves a partir de sua distribuição na superfície do globo, condições e peculiaridades de sobrevivência.

De fato, vale uma investigação técnica sobre como os ‘nossos’ passarinhos adaptam-se e se integram ao ambiente doméstico. Numa época como a de agora, no quintal de casa alimentam-se de goiabas, figos, bananas e ainda dividem conosco parte do cardápio do dia-a-dia. Mas eles são seletivos. Mangas e acerolas, por exemplo, não entram na dieta dos nossos hóspedes-inquilinos. Casinhas penduradas a galhos das árvores ou ninhos por eles montados são um permanente convite ao harmônico convívio e à multiplicação das espécies.

É verdade que o Boris, a Toco, a Pepa e o Bin, nossos cães e gato, perturbam, às vezes, o sossego dos bichanos de bico e asas. No geral, entretanto, todo mundo consegue conviver ‘civilizadamente’. De vez em quando, um bem-te-vi ou um barreiro mais afoito empreende voo rasante e arrisca um mergulho na piscina. Outras vezes, provocam a cachorrada e, depois, disparam. Já na hora do mate, há sempre uma sinfonia. É orquestrada, geralmente, por seres minúsculos, porém com potencial de inundar de sonoridades o fim de tarde, os ouvidos e os corações. Como acréscimo, também é hora de celebrar a beleza de uma aquarela, formada por penas e plumas multicoloridas. O ambiente, claro, fica mais alegre, mais animado. E é certo que, mais do que esse permanente e renovado presente dos pássaros, há, também, um grande presente de Deus.