Histórias no Vilarejo

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Era uma daquelas alegres noites de primavera
Quando o viajante chegou ao pequeno vilarejo
A praça estava cheia para aquela tão esperada visita
Ele sentou-se num banquinho que ali também o esperava
E sobre o encantador olhar da lua cheia
Compartilhou algumas de suas experiências
Da fúria e da imensidão do oceano
E da leveza com que o mar beija a praia
Do congelante e pálido manto de neve que esconde a vegetação nos polos
Dos íngremes picos de altas montanhas, exuberantes em pose, mas áridos de vida
Da sonolenta paisagem do deserto, cansada de si mesma
De ancestrais e remotas tribos onde o amor é única lei
De terras onde o sol brilha o dia inteiro, imperiosa claridade
De flores, que mesmo florindo no mais pútrido banhado, permanecem puramente limpas
De pássaros que, em natural êxtase, cantam sedutoras sinfonias de amor
De fogosas vertentes que cospem água quente de seus úteros
De enormes peixes que amamentam suas proles
De plantas que inebriam a mente a despertam a alma
De buracos enfurecidos que jorram fogo de suas entranhas
De lugares onde as nuvens são coloridas e dançam sob a sinfonia da eterna noite
E contou muitas outras histórias
Sobre cores que seus olhos viram
Sabores que seu paladar digeriu
Odores que sua essência expandiu
Sentidos que ao seu corpo erigiu
E sons que fizeram suas células dançarem
De repente,
Enquanto as pessoas estavam imersas em suas individuais imaginações
O representante do vilarejo interrompeu a doce viagem
Levantou de seu solitário assento, olhou para o seu povo e gritou
“O mundo deste senhor não existe
Pois nenhum de nós, até hoje, viveu isto
Portanto, não se deixem levar pelos delírios deste estrangeiro.”
E o povo, um pouco perplexo e claramente entristecido
Não sabia o que fazer, nem o que dizer
Então, o viajante, com voz segura e alegre
Disse-lhes
Se somente acreditarem naquilo que vocês observarem
Até os vossos pensamentos serão inexistentes
Mas se a dúvida é mais forte que o medo
Peguem suas mochilas, juntem-se a mim
E verão que, depois da esquina da praça
Existe um belo, atraente e imenso mundo
Esperando para ser peregrinado, conhecido e revelado.
(Tadany – 07 03 15)

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