CHUVA 2

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Imaginar um bobo alegre que nem eu furioso é mais ou menos como encontrar o Tiririca dando palestras sobre física quântica.

Mas algumas coisas me deixam irado, algumas intolerâncias, desaforos virtuais sobre pensamentos diferentes e outras boçalidades.

Passo ao longe disso mas, às vezes, me emputeço e escrevo coisas meio exacerbadas, mas passa logo.

Não raro levo algum desaforo pra casa – já tenho um armário só pra eles – e passado seus prazos de validade, jogo no lixo do esquecimento, não vale a pena guardá-los, ocupam muito espaço e o cheiro não é dos melhores.

Falo isso pra me desculpar com vocês por andar mais ácido do que de costume, talvez pelo calor fritante dos últimos dias, pelo extermínio das lesmas ninfomaníacas da Antuérpia ou porque estou mais ranzinza e enjoado por causa da idade, quem sabe?

Mas quem nunca teve vontade de murchar os pneus do protozoário que estaciona em vaga de idoso, hein, hein?

Um dia de fúria é permitido a todo o ser humano que esteja em dia com seus pecados, em acordo com a Cartilha do Criador.

Eu atualizo diariamente os meus, acreditem.

Mas como dizia, os humanos são tão previsíveis como se tivessem cabeça de vidro: dá pra enxergar dentro. Não chegará segunda-feira e já terá gente reclamando da chuva, querem apostar? Eu apóstrofo’. Só vai mudar a pergunta:

– Mas e essa chuva, rapaiz! Pois é, lá em casa faltou luz tanto tempo que perdi o último capítulo da Selva de Pedra!

De Forno Alegre passamos a Sapolândia, amigos! Nós, os eternos descontentes.
E ingratos para com as autoridades e políticos em geral, que se esforçam tanto para transformar nossas vidas em um torvelinho de emoções que chega a dar raiva!