ABOBRINHAS

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“Matéria atrai matéria na razão direta de suas massas e na razão inversa do quadrado de suas distâncias”.

Esta frase decorei no Científico e, como tantas outras, não me serve pra nada.

Mas já pensei em usá-la, pois acho imponente, inquestionável. Isaac Newton.

Outra: “Os puros filhos de puros não são mais puros que os puros filhos de híbridos”, Mendel.

Fórmula de Báscara, quem não decorou essa barbaridade? E pra quê?

Mas quem sabe dos desígnios dos deuses da matemática? Eu, definitivamente, não. Mas estamos aqui, com curso superior ou não, com essas coisas guardadas em gavetas secretas nos escaninhos de nossas mentes.

A toda ação corresponde uma reação igual e diretamente oposta e na natureza nada se cria, tudo se transforma, frase do Lavoisier, que foi decapitado pela Revolução, já que essa não precisava de sábios, segundo Danton, Robespierre ou o próprio Saint Just, que o julgava um grande chato coletor de impostos.

Me imaginei numa reunião formal, terno e gravata, todos contritos, cuidando decotes mais ousados e alguém inicia a repone (reunião de porra nenhuma): Sr. Motta, por favor, sua explanação! E eu: “Matéria atrai matéria na razão inversa dos filhos de híbridos que não se criam, apenas se transformam em mais ou menos B, raiz quadrada de dois A sobre quatro AC”. Olharia no fundo dos olhinhos deles, desafiador, tipo: viu o que meus antepassados fizeram? Agora aguentem!

E perderia meu emprego.

Mas é só um devaneio insalubre enquanto a enfermeirinha playmobil entra com sua bandeja de comprimidinhos coloridinhos. E o lilás, rererere!

Durmam sempre com um 38 sob o travesseiro. Eu tenho um Samello lindo, fica meio incômodo mas dá pra dormir. Abracinhos, tigrada!

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